03 Setembro 2010

#Poesia: Espinheta Paixão - Dalinha Catunda


Espinheta Paixão

(Dalinha Catunda)

Dois pés de mandacarus
Em uma vereda se via.
Ali cresceram juntinhos
É assim que se noticia.
Não sei se é bem verdade,
Ou lenda que o povo cria.

O povo que passa por lá,
Fazendo sua romaria,
Diz que um, é o tal João,
O outro, é a bela Maria,
Filha de um fazendeiro
Que o namoro não queria.

Ela uma moça bonita!
João um bonito rapaz...
Que fora abatido a tiros,
Pelas mãos de um capataz.
A mando do fazendeiro,
Que nada entendia de paz.

Maria ficou desesperada,
Com a morte de sua paixão,
De posse de um punhal
Sangrou o seu coração,
E caiu em cima do moço,
Que estava morto no chão.

O velho pai desesperado
Acabou por enlouquecer.
Vendo sua filha única
Daquele modo morrer,
E teve ali o seu castigo
Porque fez por merecer.

Pouco tempo depois
Nascia naquele lugar.
Um par de mandacarus
Frente a frente a namorar.
Marco da velha história
Que eu acabo de contar.


30 Agosto 2010

"Mulher Rendeira": conheça a verdadeira versão da cantiga popular

A música “Mulher Rendeira” é cercada pelas lendas. Enquanto uns dizem que se trata de um antigo tema popular, os mais antigos afirmam que teria sido feita pelo próprio Lampião, inspirado na figura de sua avó, uma exímia da arte de fazer rendas.



O fato é que referida canção foi muito cantada nos sertões nordestinos no tempo do rei do cangaço. Por isso, fez parte da trilha sonora do premiado filme “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, que o celebrizou no país e no exterior. Na ocasião, sofreu uma adaptação do compositor Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento), autor de outras músicas do filme, que manteve a sua estrutura original.

Comprova o sucesso de “Mulher Rendeira” o grande número de gravações que recebeu na época, inclusive fora do Brasil. Tem até uma gravação de um antigo cabra do bando de Lampião, o cangaceiro Volta Seca. E hoje, apesar das alterações na sua forma original, representa o canto oficial do cangaceirismo. Existem várias versões, mas esta a seguir parece que é a verdadeira:

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Tu me ensina a fazê renda
Que eu te ensino a namorá.

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Chorou por mim não fica
Soluçou vai pro borná.

As moças de Vila Bela
São pobres mas tem ação
Passam o dia na janela
Namorando Lampião.

O rifle de Lampião
Tem cinco laços de fita
Lampião só para em casa
Onde tem muié bonita.

Minha mãe me dá dinheiro
Prá comprar um cinturão
Pra vivê de cartucheira
No bando de lampião.

O Ceará ta de luto
Pernambuco de sofrimento
Alagoas de porta aberta
Lampião xaxando dentro.

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Tu me ensina a fazê renda
Que eu te ensino a namorá.

24 Agosto 2010

#Poesia: Rua sem rima - José Di Lorenzo Serpa





Rua Sem Rima
(José Di Lorenzo Serpa)

Não é minha
e tua
pedaço de mim
daquela rua
conheci horizontes – distantes
aéreos etéreos
conheci os montes
com saudade tua
o destino vi
daquela rua

Não penso não existo
não persisto com a lua
sem claridade de mim
digo sempre quase assim
vem rua minha
infância
dizer por que fiquei assim?

Minha rua é assim
uma fileira de casas
uma fileira de postes…
de manhã os meninos brincam
à noite os meninos dormem
minha rua é assim
casa postes meninos…

A dor que vem da dor
tão dolorosa e sofrida
não só na volta
gomo na ida
da rua uma despedida…
deixai-me nesta rua
de encontro a lágrima partida…


José Di Lorenzo Serpa é escritor, pesquisador e desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba. Foi procurador por muitos anos e tem cinco livros publicados.

18 Agosto 2010

#Poesia: Saudade é chorar sorrindo com o coração chorando - Anizio

Saudade é chorar sorrindo com o coração chorando
(Anizio)

A saudade é sentimento
Que amarga e dar prazer
Mas faz parte do viver
Do amor é o fermento
Se é parte do tormento
Ver as lágrimas derramando
Mesmo triste vou cantando
Não posso ficar fingindo
Saudade é chorar sorrindo
Com o coração chorando.

Quem não ama não conhece
Da saudade o sofrimento
Não viveu este momento
Na noite quando anoitece
Que o coração padece
E as lágrimas derramando
Não dorme fica pensando
E no peito a dor sentindo
Saudade é chorar sorrindo
Com o coração chorando.